Início | Sobre minha história

Olá! Muito prazer,
Meu nome é Camila Cruvinel e gostaria de contar um pouquinho sobre a minha história para que você entenda o porquê trabalhar com mulheres, fazer uma formação psicanalítica winnicottiana, cuidar de relacionamentos e, também, o luto deles, não é apenas um trabalho e abordagem clínica, e ainda entender o que isso tem tudo a ver com AMOR.
Desde a infância, eu sempre fui uma criança que demandava muito de todos e principalmente da minha família em termos de cuidado, sempre muito agitada, vivia machucando, faladeira, curiosa, muito extrovertida, dormia pouco e brincava muito. Digo que demandava muito, pois a realidade era dura por si só, ainda mais para ter uma criança que precisava de cuidados que ainda não se entendia na época. Atualmente, poderíamos fazer vários diagnósticos, dentre eles, o famoso TDAH(Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) entre outros possíveis.
No entanto, eu acredito que tive uma mãe que lutou muito para cuidar de mim e do meu irmão. E um pai que, apesar de viajar muito a trabalho nesse período, se fazia presente de diferentes maneiras. Porém, ainda era com a minha mãe e muitas mulheres a minha volta que eu vivi a infância a maior parte do tempo, bem como com os profissionais que cuidaram dela, de mim e por isso, de nós duas juntas e eu acredito que de toda uma família (Viva o SUS e a atenção primária responsável, principalmente, pela prevenção !).
Foi com a orientação da psicóloga do postinho do bairro, para lidar com a minha vida emocional, e das recomendações do pediatra, de utilizar a natação como alternativa de organização e canalização da minha energia, dentre outras não menos importantes como, por exemplo, a alimentação (*gravem essas informações*).
Além de todo conhecimento adquirido ao longo da vida dessas mulheres, mesmo em um contexto permeado de dificuldades, minha mãe, tias, vizinha, madrinha e várias outras mulheres, puderam me amar, cuidar e oferecer tudo aquilo que elas carregavam dentro de si, dos seus quintais, dos seus braços, das suas cozinhas, da criatividade fruto de seus bolsos humildes, mas de corações enormes.
Assim, toda energia e caos que acontecia dentro de um corpinho, ainda em desenvolvimento, foi sendo conduzida para esportes, jazz, atividades envolvendo psicomotricidade (ou se preferir subir no pé de limão do quintal da minha casa, brincar na rua até não ter mais, como dizíamos: “o tampão do dedo” ...), leituras para me colocar pra dormir, muitas brincadeiras com tinta, lápis de cor, revistas, mas também com uma rotina e organização que foram fundamentais.
Ao longo do tempo, mesmo sem ter um diagnóstico, o cuidado e eu defino com a palavra “amor’’, e eu faço questão de mencionar, sem sentimentalismo, sem romantizar de forma ingênua, pois também tiveram falhas e dificuldades enfrentadas, mas sem perder o afeto das mulheres e da psicóloga que terei um enorme carinho e gratidão pelo resto da minha vida, redefiniram à direção da minha história, do meu desenvolvimento infantil e da mulher que sou hoje.
Todo o cuidado oferecido me facilitou poder olhar de forma mais carinhosa e cuidadosa para comigo mesma, aprendendo a criar estratégias para enfrentar cada adversidade de cada etapa da vida. Imagino que, a escolha pela profissão comece a ficar óbvia por aqui, uma vez que, foi em contato com profissionais e mulheres que eu era vista, compreendida, cuidada, era assim que a vida fazia mais sentido, através dos meus olhos, por meio do meu corpo, que a vida valia a pena de ser vivida, mesmo com tamanhas dificuldades.
Diante do que eu chamo de todo amor que me foi oferecido, as aulas de artes na antiga quinta série me despertaram a curiosidade para entender o que era a psicanálise, até às influências de técnicos dos esportes que pratiquei e ainda pratico, a experiência de ter sido líder em diferentes contextos na adolescência e na vida adulta, como a vida das mulheres a minha volta que sempre me chamaram atenção, inclusive de amigas que ainda não mencionei, entre várias outras possibilidades que convergiram na decisão, ainda muito cedo, de fazer psicanálise sem nem saber o que isso significava direito, mas sentindo dentro de mim que fazia parte do meu caminho com certeza.
Ao longo da minha história, passei por diferentes psicólogas, mulheres, claro, as quais tenho um enorme carinho, tenho muitos anos de psicoterapia pessoal individual que é difícil de contar, pois faço desde muito novinha, mas em uma das experiências também fiz em grupo de mulheres, o que me transformou profundamente, poder sentir na pele a nossa força juntas, definitivamente, foi uma das melhores experiências de toda a minha vida.
Além de vários trabalhos voluntários com mulheres na sua maior parte, por que eu sempre sentia que tinha algo de especial quando estávamos juntas, e aqui minha amizades femininas tiveram um novo espaço e significado na minha história, assim como com homens também.
Dessa forma, posso dizer que, a psicanálise e a psicologia não são escolhas, simplesmente, profissionais, mas da história da minha vida inteira. Hoje, trabalhar com mulheres é, de alguma maneira, poder agradecer e proporcionar a elas todo o cuidado e amor que um dia eu recebi.
O nome que escolhi para o meu Tripé Psicanlítico: LISPECTOR TRIPLO-A é baseado na autenticidade visceral da poesia, que tanto me faz sentir viva, mas que também precisei ir construindo e conquistando na forma que fui encontrando e, ainda, busco para abrir novos espaços para novas possibilidades de existir no mundo. Mas a minha ferramenta clínica de trabalho que orienta o processo psicoterapêutico, sem deixar a poesia de lado, é sustentada, principalmente, na psicanálise Winnicottiana.
Uma abordagem a qual o seu autor teve como primeira formação, a pediatra que o influenciou profundamente (*aqui você resgata o que te pedi para gravar anteriormente*). Como o meu inconsciente se conectou rapidamente lá da minha infância da influencia do olhar cuidadoso do pediatra até a minha escolha de abordagem clínica, a qual eu optei como formação psicanalítica que vai aí uns 10 anos para completar.
Os cuidados proporcionados por um pediatra, na infância,me impactaram, essencialmente, pois foi a partir do olhar dele que mirou a direção da minha história, assim como da primeira psicóloga, porque não fui vista nem rotulada, simplesmente, como um transtorno ou uma criança problemática, o que vemos com tanta frequência na contemporaneidade.
Eu precisei inventar, criar uma forma de "ser" no mundo, e que isso não fosse resultado apenas de um transtorno psicológico, mas de vida sendo construída da forma mais autêntica possível, mesmo com várias questões a serem cuidadas ao mesmo tempo.
Por isso, a minha escolha, desde antes de conhecer a própria Psicologia, já era pela Psicanálise que tenho antes de uma abordagem teórica, clínica, mas uma forma de trabalhar que eu carrego na própria pele e que eu acredito que é extremamente potente como foi na minha vida, em uma história, desde os primeiros dias de vida até o fim dela.
Dentre vários momentos importantes da minha vida adulta, ter adoecido gravemente com um câncer no útero e vivido um luto muito difícil com a morte do meu pai são os mais marcantes que eu gostaria de contar para vocês. Hoje, carrego todo amor e ensinamentos de um pai que além de ter cuidado, me ensinou não o que é amor como substantivo abstrato, mas amar como verbo, ação. Hoje, estou curada e continuo praticando meus esportes, lendo meus livros e tentando nunca perder a criança custosa que fui, assim como a adolescente rebelde que uso sempre que preciso(haha), estou viajando e atendendo minhas pacientes de qualquer lugar do mundo.
Gostaria de contar também que, tive diferentes relacionamentos amorosos, conheci alguns homens de perto, mas foi com um deles, um profissional da saúde é claro(‘'haha’'), que vivemos juntos por alguns anos e posso dizer que foi um dos grandes amores da minha vida, mas, o relacionamento chegou ao fim, nos separamos, mas o amor não acabou aqui.
A psicanálise foi decisiva nesse momento de separação e luto amoroso, eu sinto que foi com anos de cuidado e amor, bem como com a minha análise/psicoterapia pessoal, que eu consegui elaborar esse luto e, reconquistar a minha autonomia emocional, utilizar da minha história mais uma vez novas formas de viver uma vida que seja minha.
Viver alguns anos solteira e olhar de frente para uma solidão, diferente dessa vez, sendo acompanhada pela minha própria analista, família, meus esportes, minhas leituras e, principalmente, minhas amigas, todos laços de muito afeto alimentaram em mim uma força que no final, não encontro outro nome se não, amor.
Ao longo desse processo, sinto que conquistei muito, conquistei muito internamente e externamente, e hoje sinto que vivo um novo relacionamento que posso ser eu mesma e que tento de todo meu coração alimentá-lo com muito amor também.
Na minha história, em cada uma das minhas vivências, sempre acompanhada por mulheres, pelas minhas psicólogas/ psicanalistas, ao longo da minha vida, fez toda a diferença. Fica muito claro pra mim que o amor é revolucionário, na vida e na morte, na saúde e na doença, dentro de relacionamentos amorosos e/ou fora deles, com a sua família, com suas amizades, com seu trabalho, com seus hobbies, com a sua arte e essa lista pode ser infinita…pois o que, realmente, importa é o que fazemos com a nossa história, o quanto de respeito cultivamos por ela, o quanto de amor alimentamos ela, o quanto cuidamos dela. Por fim, eu digo e sinto todos os dias da minha vida que o amor cura! 
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